E de repente nada mais é
Calor, parceria ou tesão
De repente tudo agora é
Frio, ojeriza e competição
Da cama, caímos num campo
de batalha
Na velha guerra entre o logos
e o mito
E de repente, cada um com
sua navalha
Foi rasgando o que era
belo e infinito
Nossas bocas já não se
calam mais com beijos
E só se abrem numa inútil
disputa de certeza
Sua presença nem me
provoca mais desejos
E minha ausência já não
lhe causa mais tristeza
E de repente nada mais é
Rock, vinho ou sonho
De repente tudo agora é
Blues, apneia e coronho
Do sonho, acordamos no
real deserto
O mesmo, onde já sofremos
outrora
E de repente, na procura
do que é certo
Encontramos o erro em que
vivemos agora
Autor: Marcelo Maia