Translate

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Syd e Dorothy

Prefiro ser vítima da ventania a morrer de amor;
A viagem forçada dói menos que a saudade na cama.
Temo menos o mundo de lá que a falta do seu calor;
Melhor seria nunca ter conhecido o que você me trouxe;
Do que saber que um dia tudo se afundará na sua lama.

Pode haver sincronia entre Pink Floyd e O Mágico de Oz;
E meu lado escuro pode até ser visto em seu caleidoscópio;
Mas os sentimentos mal traduzidos que vêm de sua voz;
Amenizam minhas dúvidas e ativam os efeitos de seu ópio.

Deixemos de lado as músicas do disco e o filme da menina;
Caminhemos a sós numa estrada onde não há mais tijolos;
Até encontrarmos um mágico que não vive atrás da cortina;
Um ilusionista que me faça acreditar em tempos vindouros.

Se houver uma ligação entre este ano e um dia no futuro;
Que seja você ou algo que não deveria mais ser lembrado;
Como uma canção sobre nós ou a poesia em seus lábios;
Soprando a suave ventania que sempre derruba o muro;
Expondo o homem que pede perdão e revive seu pecado.



Autor: Marcelo Maia Gomes

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Fantoches e Titereiros

Estranho, mas nossos titereiros já foram fantoches;
Que criamos para tê-los sempre por perto;
Para acalmar o louco em nossa mente.
Estranho, como nos tornamos alvos de deboches;
Das miragens que criamos no nosso deserto;
Para matar a sede do nosso eu potente.

As cordas usadas pelo fantoche para nos manipular;
Ainda permanece presa em nossos dedos;
Mas, só as movemos como ele quer.
Ele é o herói que inventamos para nos salvar;
E por conhecer todos os nossos medos;
Titereia-nos da maneira que quiser.

Criei vários fantoches para o meu espetáculo sem plateia;
Ideologias, deuses, teses, vícios e esperança.
Mas o pior de todos se chama Paixão.
Paixão, o fantoche mais titereiro que se pode ter ideia;
Domina como tirano e sorri como uma criança;
Enquanto titereia-me no teatro Solidão.

Autor: Marcelo Maia

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A Origem da Obra de Arte Nunca Iniciada

Certo dia, ela me perguntou se eu acredito no amor.
E eu menti ao dizer que não sei o que é isso
Mas eu sei que essa palavra é sinônimo de dor
E, ás vezes, de abandono e de compromisso.

Ela não impôs limite, e eu não acredito no além.
E mesmo assim, eu quis pedir lhe perdão.
Mas fiquei calado, fingindo que estava tudo bem.
Um isqueiro sem gás, piscando na escuridão.

Meu fogo acendeu com o frio que entrou pela janela;
E com o meu abraço, eu tentei aquecê-la.
Ela permitiu, mas lamentou não serem os braços dela;
Mesmo sabendo que ela não queria atendê-la.

Quando ela se foi, vi o formato do nada.
Era um triângulo com apenas um lado.
Uma obra de arte, que já foi terminada;
Sem, mesmo, o pintor tê-la iniciado.


Autor: Marcelo Maia