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terça-feira, 26 de novembro de 2013

A Hora do Sacrifício

Na hora do sacrifício, o cordeiro lamenta o abandono e o amor do pai;
Queimando na fogueira, a bruxa percebe que seu mestre a esqueceu;
Na hora do castigo, ouve-se a cantoria dos condenados, e a noite cai;
O pecador é consumido, acreditando que a eternidade o acolheu.

Os salvadores e os heróis finalmente descobrem a mortalidade;
Ascetismo não significa nada perto da fome e do precipício;
Os bêbados e os fanáticos acreditam na mesma imortalidade;
Quando se ajoelham perante Deus ou diante do vício.

Na hora marcada, a noiva percebe que o noivo não virá;
Ela pagou caro pelo vestido, e não lhe resta nem o trapo;
No quarto escuro,  triste e sozinha ela jamais se sentirá;
Antes de perder seu príncipe, guardara na caixa seu sapo.

As beatas e os virgens se arrependem do voto de castidade;
Debruçadas em suas janelas, observando o fim do mundo.
As putas e os devassos fazem valer a noite desta cidade;
Parados em suas esquinas, aliviando o tédio e o absurdo. 
No momento exato da hora do sacrifício.

Autor: Marcelo Maia



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Entre o Nada e o Início

Entre o nada e o início, há um homem no quarto escuro.
Preso á sua arrogância, medo e decepção.
Abaixo  da beira, tem só um egoísta em cima do muro.
Ignorando sua ignorância e o medo da solidão.

Entre a flor e o espinho, há um homem temendo os dois.
O cheiro que o repele e a ponta que o dilacera.
Na escolha entre a dor e o carinho, um que pensa no depois.
Do mal-estar  em sua pele e da rejeição que ele espera.

Entre a corda e o suicida, há um momento de reflexão.
Um bilhete dramático para ninguém ler.
Atrás da estreita porta e da vida, há o prazer e a persuasão.
E um conselho fanático para se convencer.

Entre a punheta e o casamento, há uma tremenda monofobia.
Mas uma suja sua mão, o outro sua individualidade.
Depois da alegria e do tormento, há uma dívida e monotonia.
A saudade da solidão, a falta de privacidade.

Então, ele prefere voltar para cima do muro;
Mas se afasta da beira do precipício.
E descobre dentro de seu velho quarto escuro;
Que só há o nada, entre o nada e o início.

Autor: Marcelo Maia