Translate

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Zumbis Insones Numa Madrugada Sem Assunto

Fale-me de seus amores, mas o meu é segredo.
Cante nossa música sem se importar com o tom.
Não desligue o celular, pois ainda está tão cedo.
Inicie um assunto, mesmo que não seja bom.

Vamos falar sobre o que não nos interessa;
Zumbis, religião e a terceira guerra mundial.
Se a insônia se tornar algo que nos estressa;
Vamos falar de baboseiras na rede social.

Não ligo se vou dormir na hora de acordar;
Na verdade, nem sei se existe hora certa para isso.
Por mim, eu dormiria até tudo se acabar;
Ou acordaria quando não tivesse mais compromisso.

Você dormiu, logo agora que já estou terminando;
Maldita seja a insônia que lhe abandonou.
Quando você acordar, eu ainda quero estar sonhando;
Com a nossa festa que ainda nem começou.

Autor: Marcelo Maia



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Entre o Consultório e o Bordel

Não suporto o nojo que há na roda dos intelectuais.
Sou fã de Paganinni, mas me excito é com Madonna.
Não vejo valor algum nos discursos filosóficos morais;
Troco todas essas palestras por uma noitada ali na zona.

No lugar de uma analista que me deita em seu divã;
Quero uma puta sobre mim, em qualquer cama.
No lugar de uma amiga que quer ser minha irmã;
Prefiro aquela vadia, que nem sei como se chama.

Sou romântico, mas não evito um palavrão;
Afinal, meu afeto não vem apenas do coração.
Tenho respeito, mas não tenho pudor.

Sei que você pode me considerar contraditório;
Pois meu paraíso se assemelha ao purgatório.
Sou imoral, mas não dispenso seu amor.


 Autor: Marcelo Maia

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Convictos e Incertos


Você procura em mim, a confirmação do que já sabe;
Mas, tudo que encontra é minha inquietude;
E a fé que eu tenho na incerteza.
Eu quero com você uma história  que nunca acabe;
Encanta-me, a alegria de sua juventude,
E a dúvida que você tem da certeza.

Falaram que estou sendo a semente do seu mal;
O caminho que vai te levar ao fracasso.
E nós, respondemos com sorrisos.
Disseram que eu sou o empecilho do seu ideal;
A música que você dança em descompasso.
E nós, rebatemos com improvisos.

Nosso dom de intérprete nos incita a traduzir;
O que eles chamam de Felicidade.
Para nós, ascetismo fútil.
Nossa mania de ser livre nos evita a repetir;
O que eles chamam de Liberdade.
Para nós, convicção inútil.

Você não é o fruto de uma árvore que plantei;
Mas foi a raiz que me segurou na ventania;
Você não é o tema de uma tese que eu criei;
Mas sempre será o cerne da minha poesia.


 Autor: Marcelo Maia


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O Velho Laço

 Com seu nome, fiz um mantra quase  mudo.
Esculpi sua imagem na mente;
Ajoelhei-me de saudade.
Rasguei o poema, no qual disse quase tudo.
Expulsei a aparição da minha frente;
Amaldiçoei-me com verdade.

Deixei meu sonho para entrar no seu pesadelo.
Deixei em perigo seu futuro ideal;
Revelei a dor da existência.
Ouviu meu desaforo, mas não atendeu meu apelo.
 Deixou em risco meu presente real
Praguejei a hora da resistência.

Atrás do amor perfeito, desprezou meu sentimento;
Encontrou aquele homem morto do passado
Ressurreto pelo seu amor imperfeito.
Fiz de Azevedo, um escape para meu tormento;
Li Baudelaire e seu spleen embriagado.
Ameacei-me com Bukowski no peito.

Então, eu durmo para encobrir o real que o sol revela.
Mas acordo com o som de sua voz;
E a ausência de seu abraço.
Então, eu insisto em ver o que há depois da janela.
 Percebo que não existe mais o “nós”;
E não restou nada do velho laço.

Autor: Marcelo Maia