Atire
no meu peito
E
mate a dor que a fome pode me trazer
Não
se importe com o meu sangue no chão
Aponte meu maior defeito
Antes
do estrago que a bala irá fazer
Não
se importe com minha ida à escuridão
Atire
antes que eu desista
Não
vou querer morrer a todo momento
E a
fome nem sempre me traz desconforto
Puxe
mesmo que eu insista
Livrai-me
da fome e de qualquer outro tormento
Que
não exista quando eu estiver morto
Por
que está demorando tanto?
Antigamente,
você era bem mais ágil no gatilho;
Deixava-me
no chão em poucos segundos
Quer
que eu vire mártir ou santo?
Não
espere isso; não quero ser nenhum Filho
Nem
viver intermediando dois mundos.
Atire,
antes que eu mate minha fome;
Alimentando-me
da miserável sobra do seu jantar
Que
você,sempre, joga no lixo ao amanhecer
Mate
aquilo que nem um verme come;
Já
não suporto mais essa fome e o terceiro lugar;
De
um candidato que só quer aparecer.
Resolva
isso de uma vez por todas;
E
não tenha medo daquilo que nem sabe se é;
Pois
o ser sempre está e ficará do seu jeito.
Aperte
o gatilho e depois a tecla “fodas”;
Viva
a ilusão e tudo aquilo que só vive na fé.
Drene
minha dor; atirando no meu peito.
Autor: Marcelo Maia Gomes
Nenhum comentário:
Postar um comentário