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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O Poema dos Sonhos



O som das folhas secas caindo no quintal
São os passos da minha tão esperada visita
Um sopro gritando um nome qualquer
Faz sua voz  me parecer tão real

Os pingos desperdiçados pela torneira
São os beijos secos da moça que me evita
Um sorriso que vem dos lábios da mulher
Faz as ruínas de um mundo a minha maneira

O vento que varre as ruas e cega os notívagos
Sopra minha vida para um momento feliz
E numa estrada cheia de sorrisos e rock n roll
Dançamos no ritmo dos seres tardívagos

A dor da ausência de um domingo ensolarado
Escreve o roteiro da vida que eu sempre quis
E numa casa onde posso ser tudo o que sou
Não preciso ser o outro para ser amado

Tudo se acaba com o sol na minha janela
Trazendo só as lembranças do homem feliz
Forjando memórias do que nunca começou
E a dor recomeça com o sol na minha janela

Autor: Marcelo Maia Gomes

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Tempo e Movimento

O movimento dos astros escurece o dia;
Amanhece a noite e cria a sensação de tempo
A sensação do tempo que se sente noite e dia;
Cria a tristeza e a felicidade

O Tempo faz o movimento da vida
Assusta o espírito jovem que vê no espelho
A imagem de um rosto velho e embaçado
Cheio de dor e de saudade

O Tempo não se repousa no Movimento
E nem o Movimento descansa pelo Tempo
A flecha lançada sai em busca do seu alvo
E o herói chegará antes da tartaruga

O Movimento sujeita-se ao Motor Imóvel
Que também se move e se expande no Tempo
Ninguém percebe a velocidade do Movimento
Até perceber e chorar a primeira ruga

Durante o tempo formam-se os planos
Que se modificam com o movimento
E tudo que se movimenta tão bem na mente
Por falta de tempo, torna-se o freio de uma vida

No movimento os pais fazem seus filhos
E no tempo os filhos viram novos pais
E uma casa cheia torna-se tão silenciosa e triste
E a casa vazia vai ficando cheia de alegria e dívida

E o Tempo não perdoa.
Mas qual o pecado cometido contra ele?
Ele me envelheceu e cresceu meus filhos
Transformou minhas inovações em caretices
É ele quem precisa do meu perdão

E o Tempo não tem culpa
Ele nem sabe que suas vítimas existem
Apenas segue seu senhor, o Movimento
Senhor da Mudança que cria e destrói os sonhos
Acende e apaga o fogo da paixão.

Autor: Marcelo Maia Gomes








segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Vá e Veja

Vá e colha o amor que foi semeado pelos odiosos
Cometa os pecados dos mensageiros da salvação
Vá e queime as bruxas que encantaram nossas noites
Depois aspire o incenso dessas cinzas pela mesma narina
Que aspirou a neve de uma noite quente de Natal

Vá e exorcize da sua alma meus sonhos tenebrosos
Realize-se presa às correntes da sua libertação
Vá e condene todos nossos atos e planos aos açoites
Depois cure todas as feridas que surgiram naquela esquina
Onde selamos o pacto em um dia frio de Carnaval

Negue seus pecados e atire a pedra no quarto escuro
Depois, vá e não peque mais contra seus desejos
Busque primeiro as outras coisas que lhe seriam acrescentadas
Perdoe-me, porque ainda não sei o que você me fez
E condene me por ter aliviado seus cansaços

Tente apagar de mim as memórias do nosso futuro
E antes devolva-me tudo que sugou com seus beijos
Apareça por aqui e traga notícias das suas guerras abençoadas
Garanto que estará comigo no Paraíso na próxima vez
Vá e volte quando o guia for seus próprios passos


Autor: Marcelo Maia Gomes

sábado, 3 de outubro de 2015

A Lagartixa no Meu Café

Desculpe por ter lhe cuspido assim no chão
Não consegui engolir até o fim
Fui atraído pelo doce e o amargo da paixão
Mas seu gosto não era assim

Você se esquivava dentro da minha boca
E mesmo assim, eu curtia o gosto
Livre de mim, contorceu feito uma louca
Senti pena, mas virei meu rosto

Pobre predadora de verme e inseto
Sentiria o gosto de ser a minha presa
Porém, dispensada como um inútil objeto
Empina seu corpo em direção à mesa

Desculpe, eu até tentei disfarçar o seu sabor
Misturando café, açúcar, pimenta e fel
Mas você tremia em minha língua
Assim como ela tremeu diante do meu amor

Não posso engolir alguém assim tão escorregadio
Presa entre meus dentes, encostada no meu céu
Deixe me sentir pena de vê-la à míngua
E volte a ser a predadora de pele lisa e sangue frio

domingo, 9 de agosto de 2015

Approach

Do not be afraid
I'm not the dancer devil under the moonlight;
Neither the freedom attached to the hook
Do not get up early;
To see the morning star pretending to light
Taking advantage of the sunshine

Does not deviate from my way.
I'm not the road that ends in hell;
Neither the wing to heaven.
Drink water doesn’t turn into wine
Feel the finitude of what should be eternal;
And delight in the sweetness  of gall.

I also have fear.
You can be the guise of a rebel angel;
Another shot fired in the dark.
I never wake up early.
Sleep sedated by passion and awakened by pain;
Always behind the huge wall.

I do not fear his way;
For the mix of your all with your nothing;
I walk easy in the maybe.
My blood turned into wine;
Since you figured that empty morning;
And filled my soul with smiles .

Damn our existence;
That creates barriers between happy and free;
And guide us in different ways in the same road
Bless my insistence;
That ignores the barriers and unite us in a dream;
Creating a star night illuminated by me and you.


Author: Marcelo Maia Gomes

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Palavras Contrárias

Contra a longa distância entre nossas dúvidas e certezas
Havia um estreito atalho que levava você àquilo que nos unia
Uma porta larga que revelava os pecados sem impurezas
E trazia você a mim como uma cega iluminada pela poesia

Mas,jogaram tantas palavras contra meus poemas
E você escolheu todas elas para formar sua verdade.
 Palavras que lhe prometem uma vida sem dilemas
 Enquanto minha poesia a faz sorrir na lacunosidade.  

Contra nosso espírito iluminado,usaram espelhos
Que refletiam a escuridão do tempo em nossos rostos
Para amenizar essa dor, você se pôs de joelhos
Pedindo perdão ao deus ateu por seus desgostos

Entre a sua falsa felicidade plena e a minha liberdade total
Você plantou seu jardim de medos e delícias
E viu que entre sua fé e a imaginação tem um mundo igual
Onde você se conforta e satifaz suas malícias

Intermediando o silêncio deste poema e o som da sirene
Poderá haver um grito e cartelas esvaziadas
E todos os planos e ideias que criamos para o perene
Findará num bilhete com mensagens inacabadas

Autor: Marcelo Maia Gomes

sábado, 13 de junho de 2015

Root

You want me to confirm what you already know
But all that you find is my shyness
And my faith in doubt
I hope your uncertainty never ends
The joy in your lips glorify me
And my desire exalts you
They said I'm the seed of your evil;
The path that will lead you to failure.
And we answer them with smiles.
They said I am the obstacle of your ideal;
The music you dance out of step.
And we rebut with improvisations.
Our interpreter gift urges us to translate;
What they call happiness.
For us, futile asceticism.
Our habit of being free avoid us to repeat;
What they call Freedom.
For us, that’s the worst prison.
You're not one the seeds that I planted.
You are the root that holds me in the wind;
You are not one of the thesis that I creat.
You are the fulfillment of my desires;


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

126

O fogo na minha cabeça arde mais que a sua profecia
Destrói poetas, intelectuais e maravilhas do mundo
Pune seus pecados e absolve toda a nossa hipocrisia
Queima o espírito do superficial e a face do profundo

Alastra-se por todo o campo das minhas ideias incríveis
Derruba-me da cama a noite e impede meu dormir
Acende meu desejo de criar e destruir planos horríveis
Muda-me mais que o fogo de Heráclito e seu devir

É o fogo que revive o meu passado e mata meu futuro
Queima o imenso pavio da minha falsa paciência
Explode num clarão que intensifica mais o meu escuro
Sufoca líderes, filósofos e descobertas da ciência

Desce pela minha garganta como a cachaça de toda sexta
Arde meu coração e impede que eu a esqueça
Do fundo do seu mar ,meu fogo emerge como a  besta
Por favor, apague esse  fogo da minha cabeça.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O Que Será Disso Aqui?

O que será disso aqui;
Quando os passarinheiros caírem no meu laço;
A peste que assombra já não mais assustar;
E sua cegueira se curar na escuridão?
O que terá mais aqui;
Se a corda não suportar mais a força do meu braço;
O usado descobrir que sempre soube usar;
Sua parceria se consolidar na solidão?

O que será disso aqui;
Quando esgotar a força sugadora dos parasitas;
Não for mais necessário o suicídio dominical;
Nem a liberdade precisar de sacrifício?
O que restará nisto aqui;
Se o pastor pregar a crueldade aos midianitas;
A hermenêutica não disfarçar o que é mal;
Sangue alheio não for mais benefício?

 Se a fraqueza da minha voz acordar a maioria;
 O mundo perceber que sempre foi sozinho;
E ninguém se importar com isso;
O que eles dirão para mim?
Depois da neve escorrer em forma de sangria;
A mancha no lençol indicar o caminho;
E você não ver mais amor nisso ;
O que será de nós aqui?