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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Tempo e Movimento

O movimento dos astros escurece o dia;
Amanhece a noite e cria a sensação de tempo
A sensação do tempo que se sente noite e dia;
Cria a tristeza e a felicidade

O Tempo faz o movimento da vida
Assusta o espírito jovem que vê no espelho
A imagem de um rosto velho e embaçado
Cheio de dor e de saudade

O Tempo não se repousa no Movimento
E nem o Movimento descansa pelo Tempo
A flecha lançada sai em busca do seu alvo
E o herói chegará antes da tartaruga

O Movimento sujeita-se ao Motor Imóvel
Que também se move e se expande no Tempo
Ninguém percebe a velocidade do Movimento
Até perceber e chorar a primeira ruga

Durante o tempo formam-se os planos
Que se modificam com o movimento
E tudo que se movimenta tão bem na mente
Por falta de tempo, torna-se o freio de uma vida

No movimento os pais fazem seus filhos
E no tempo os filhos viram novos pais
E uma casa cheia torna-se tão silenciosa e triste
E a casa vazia vai ficando cheia de alegria e dívida

E o Tempo não perdoa.
Mas qual o pecado cometido contra ele?
Ele me envelheceu e cresceu meus filhos
Transformou minhas inovações em caretices
É ele quem precisa do meu perdão

E o Tempo não tem culpa
Ele nem sabe que suas vítimas existem
Apenas segue seu senhor, o Movimento
Senhor da Mudança que cria e destrói os sonhos
Acende e apaga o fogo da paixão.

Autor: Marcelo Maia Gomes








segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Vá e Veja

Vá e colha o amor que foi semeado pelos odiosos
Cometa os pecados dos mensageiros da salvação
Vá e queime as bruxas que encantaram nossas noites
Depois aspire o incenso dessas cinzas pela mesma narina
Que aspirou a neve de uma noite quente de Natal

Vá e exorcize da sua alma meus sonhos tenebrosos
Realize-se presa às correntes da sua libertação
Vá e condene todos nossos atos e planos aos açoites
Depois cure todas as feridas que surgiram naquela esquina
Onde selamos o pacto em um dia frio de Carnaval

Negue seus pecados e atire a pedra no quarto escuro
Depois, vá e não peque mais contra seus desejos
Busque primeiro as outras coisas que lhe seriam acrescentadas
Perdoe-me, porque ainda não sei o que você me fez
E condene me por ter aliviado seus cansaços

Tente apagar de mim as memórias do nosso futuro
E antes devolva-me tudo que sugou com seus beijos
Apareça por aqui e traga notícias das suas guerras abençoadas
Garanto que estará comigo no Paraíso na próxima vez
Vá e volte quando o guia for seus próprios passos


Autor: Marcelo Maia Gomes

sábado, 3 de outubro de 2015

A Lagartixa no Meu Café

Desculpe por ter lhe cuspido assim no chão
Não consegui engolir até o fim
Fui atraído pelo doce e o amargo da paixão
Mas seu gosto não era assim

Você se esquivava dentro da minha boca
E mesmo assim, eu curtia o gosto
Livre de mim, contorceu feito uma louca
Senti pena, mas virei meu rosto

Pobre predadora de verme e inseto
Sentiria o gosto de ser a minha presa
Porém, dispensada como um inútil objeto
Empina seu corpo em direção à mesa

Desculpe, eu até tentei disfarçar o seu sabor
Misturando café, açúcar, pimenta e fel
Mas você tremia em minha língua
Assim como ela tremeu diante do meu amor

Não posso engolir alguém assim tão escorregadio
Presa entre meus dentes, encostada no meu céu
Deixe me sentir pena de vê-la à míngua
E volte a ser a predadora de pele lisa e sangue frio