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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Atire no meu peito

Atire no meu peito
E mate a dor que a fome pode me trazer
Não se importe com o meu sangue no chão
Aponte  meu maior defeito
Antes do estrago que a bala irá fazer
Não se importe com minha ida à escuridão

Atire antes que eu desista
Não vou querer morrer a todo momento
E a fome nem sempre me traz desconforto
Puxe mesmo que eu insista
Livrai-me da fome e de qualquer outro tormento
Que não exista quando eu estiver morto

Por que está demorando tanto?
Antigamente, você era bem mais ágil no gatilho;
Deixava-me no chão em poucos segundos
Quer que eu vire mártir ou santo?
Não espere isso; não quero ser nenhum Filho
Nem viver intermediando dois mundos.

Atire, antes que eu mate minha fome;
Alimentando-me da miserável sobra do seu jantar
Que você,sempre, joga no lixo ao amanhecer
Mate aquilo que nem um verme come;
Já não suporto mais essa fome e o terceiro lugar;
De um candidato que só quer aparecer.

Resolva isso de uma vez por todas;
E não tenha medo daquilo que nem sabe se é;
Pois o ser sempre está e ficará do seu jeito.
Aperte o gatilho e depois a tecla “fodas”;
Viva a ilusão e tudo aquilo que só vive na fé.
Drene minha dor; atirando no meu peito.


Autor: Marcelo Maia Gomes 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Adormecer

Cante para eu dormir
Cante para que eu adormeça
Eu não posso sucumbir
Mas que eu sonhe com tudo aquilo...
Aquilo que desejo;
Contudo, que não ouso.

Cante para eu dormir;
E entorpeça-me com teu perfume.
Cante... Cante pare eu dormir;
Porém, o que me dizes é:
“Eu estou aqui.”
“Meu perfume, ainda, está em ti.”

A tua voz convida-me:
Atiça-me.
E embora eu, precise dormir;
Escolhi,aceitar seu convite;

Não adormecer.


Autor: Stefanie Souza

sábado, 4 de outubro de 2014

Aproximação

Não tenha medo;
Não sou o demônio dançarino;
Detrás da luz do luar;
Nem a liberdade presa ao anzol.
Não acorde cedo;
Para ver meu rosto de menino;
Vívido em seu sonhar;
E destruído pela luz do sol. 

Não se desvie do meu caminho;.
Não sou a estrada que desce para o inferno;
Nem a escada que se ergue para o céu.
Posso ser a água que não vira vinho;
Mas este poema pode lhe ser eterno;
Se você tapar os olhos ao tirar-me o véu.

Eu não tenho medo;
Ainda que você seja um disfarce; 
A máscara de um anjo enganador;
 Outro tiro que dou no escuro.
Eu sempre acordo cedo;
Pois durmo sedado pela paixão;
Mas acordo despertado pela dor;
E sufocado pelo meu velho escudo.

Nunca me desviei do seu caminho;
Pois o seu tudo é como o meu nada;
Com um pouco de todo talvez.
Senti o poder do sangue no seu vinho;
Ao beijar sua boca naquela madrugada;
E tremer de medo mais uma vez.

Maldita é a nossa existência;
Que separa o seu ser livre do meu ser feliz;
E nos impede de andar na mesma rua.
Bendita é a minha insistência;
Que ignora todo não que esta vida me diz;
E acredita que a história é só minha e sua.


Autor: Marcelo Maia Gomes