Quando à noite nossas palavras nos ferem;
E tudo termina sem eu saber o que fazer;
O dia traz de volta o que sempre esteve aqui;
E tudo recomeça como nunca deixou de ser.
O demônio na sala me diz o que nos diferem;
E a desgraça nua me sorri atrás da porta;
Impedindo que o triste fantasma entre por ali;
E zombe de toda esperança que já está morta.
A tarde me traz seus olhos no vazio e sua voz nos ventos;
E algumas mentiras que conto entre a lágrima e o sorriso;
Poetizadas pelo barqueiro que navega para lugar nenhum;
E declamadas nas dores daquele que perdeu o juízo.
O Poeta do Suicídio Dominical lidera esses momentos;
Biografando minha vida em indistintos versos sem rima;
Numa tarde vermelha quando não há mais brilho algum;
E tudo o que me resta são as palavras que escrevo acima.