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sábado, 19 de dezembro de 2020

Eterno Circular

 

            

Todas as vezes que eu me desperto na beirada;

Finjo que estou dormindo, com os olhos calejados;

Vejo-os sempre correndo de um lado para o outro;

Sempre como pontos imóveis de uma mesma linha.

 

Algumas vezes eu tentei ir com você nessa estrada;

Mas era impossível andar com os pés lacrimejados;

Afundados nos farelos que você deixava pra trás;

Restos de um banquete em que a morte era rainha.

 

Agora, tudo o que desejo são asas e um pouco de luz;

Não para chegar aonde você e eles nunca chegarão. 

Mas para levá-la ao lugar que não existe sem você;

Onde seus pés estarão livres do seu eterno circular.

 

Seus passos são pregos no meu corpo sobre a cruz;

Como eu anseio descer daqui sem olhar para seu chão;

Queria eu voar e sair do seu caminho sem me perder;

Mas meus olhos estão presos ao seu eterno circular.

 Autor: Marcelo Maia