Todas as vezes que eu me desperto na beirada;
Finjo que estou dormindo, com os olhos calejados;
Vejo-os sempre correndo de um lado para o outro;
Sempre como pontos imóveis de uma mesma linha.
Algumas vezes eu tentei ir com você nessa estrada;
Mas era impossível andar com os pés lacrimejados;
Afundados nos farelos que você deixava pra trás;
Restos de um banquete em que a morte era rainha.
Agora, tudo o que desejo são asas e um pouco de luz;
Não para chegar aonde você e eles nunca chegarão.
Mas para levá-la ao lugar que não existe sem você;
Onde seus pés estarão livres do seu eterno circular.
Seus passos são pregos no meu corpo sobre a cruz;
Como eu anseio descer daqui sem olhar para seu chão;
Queria eu voar e sair do seu caminho sem me perder;
Mas meus olhos estão presos ao seu eterno circular.
Autor: Marcelo Maia