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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Café Amargo


Se você se sentar e ficar comigo mais um pouco;
Talvez me entenda e descubra que seu lugar é aqui.
Pode até ser que eu esteja ainda mais cego e louco;
Mas escutei seu coração dizer que estarei sempre aí.

Se você se sentar e quiser decifrar a mensagem;
Ouça apenas a razão que um dia você perdeu;
Esqueça aquela noite e o que ficou na viagem;
Depois tente me dizer quem realmente sou eu.
                                               
Se você ficasse aqui bem mais que este segundo;
Talvez conseguisse me tirar de vez do seu caminho.
Eu viraria as costas e sairia outra vez do seu mundo;
Talvez, se você ficasse bem mais que  um pouquinho.

Sente-se e tome o último café amargo comigo; 
Pode também ser o primeiro com hortelã e canela;
Se preferir, posso apagar o cigarro e acender a vela;
Quando você se sentar e ficar mais um pouco comigo.






quarta-feira, 18 de julho de 2018

O Poeta do Suicídio Dominical


Quando à noite nossas palavras nos ferem;
E tudo termina sem eu saber o que fazer;
O dia traz de volta o que sempre esteve aqui;
E tudo recomeça como nunca deixou de ser.

O demônio na sala me diz o que nos diferem;
E a desgraça nua me sorri atrás da porta;
Impedindo que o triste fantasma entre por ali; 
E zombe de toda esperança que já está morta. 

A tarde me traz seus olhos no vazio e sua voz nos ventos;
E algumas mentiras que conto entre a lágrima e o sorriso;
Poetizadas pelo barqueiro que navega para lugar nenhum;
E declamadas nas dores daquele que perdeu o juízo.

O Poeta do Suicídio Dominical lidera esses momentos;
Biografando minha vida em indistintos versos sem rima; 
Numa tarde vermelha quando não há mais brilho algum;
E tudo o que me resta são as palavras que escrevo acima.