No meu enterro, não quero muita gente;
Dispenso curioso, e aquele velho parente;
Que só aparece em velórios e casamentos;
E nem chora nesses terríveis momentos.
Eu quero muito choro, mas dispenso vela;
E enfiem no rabo, essa tal fita amarela;
No lugar dela, uma fita branca e azul;
A preta e branca enterre com o vodu.
E se você não for chorar a minha morte;
Não apareça só para confirmar a sua sorte;
Se procura algum pretexto para faltar ao serviço;
Contraia uma doença ou se mate com seu vício.
Também não quero culto, missa ou outro ritual;
Já morri mesmo, não vai mudar minha moral.
Não levem padre, pai-de-santo, médium ou pastor;
Para mentir, peçam para alguém dizer: "adeus, amor".
Ao invés de Canção da América, rezas e orações;
Maldigam minha morte com xingamentos e palavrões;
E na descida, toquem algo que esteja no Ummagumma;
Quem não gostar, que vá embora; é melhor que suma.
Após o monótono espetáculo dessa longa despedida;
Não apareça só para confirmar a sua sorte;
Se procura algum pretexto para faltar ao serviço;
Contraia uma doença ou se mate com seu vício.
Também não quero culto, missa ou outro ritual;
Já morri mesmo, não vai mudar minha moral.
Não levem padre, pai-de-santo, médium ou pastor;
Para mentir, peçam para alguém dizer: "adeus, amor".
Ao invés de Canção da América, rezas e orações;
Maldigam minha morte com xingamentos e palavrões;
E na descida, toquem algo que esteja no Ummagumma;
Quem não gostar, que vá embora; é melhor que suma.
Após o monótono espetáculo dessa longa despedida;
Volte para a casa e escreva algo sobre minha vida;
Conte o que sabe e minta um pouco, se achar necessário;
É pena que eu não tenha lhe deixado o meu diário.
.
Autor: Marcelo Maia
Autor: Marcelo Maia