Na hora do sacrifício, o cordeiro lamenta o abandono e o
amor do pai;
Queimando na fogueira, a bruxa percebe que seu mestre a esqueceu;
Na hora do castigo, ouve-se a cantoria dos condenados, e a noite cai;
O pecador é consumido, acreditando que a eternidade o
acolheu.
Os salvadores e os heróis finalmente descobrem a
mortalidade;
Ascetismo não significa nada perto da fome e do precipício;
Os bêbados e os fanáticos acreditam na mesma imortalidade;
Quando se ajoelham perante Deus ou diante do vício.
Na hora marcada, a noiva percebe que o noivo não virá;
Ela pagou caro pelo vestido, e não lhe resta nem o trapo;
No quarto escuro, triste e sozinha ela jamais se sentirá;
Antes de perder seu príncipe, guardara na caixa seu sapo.
As beatas e os virgens se arrependem do voto de castidade;
Debruçadas em suas janelas, observando o fim do mundo.
As putas e os devassos fazem valer a noite desta cidade;
Parados em suas esquinas, aliviando o tédio e o absurdo.
No momento exato da hora do sacrifício.
Autor: Marcelo Maia