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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Apocalipse Segundo Walter Franco



Talvez a casa caia antes que o mundo acabe
E você já se sente pura e preparada;
Mas eu que já sei tudo o que você não sabe
Não me sinto pronto nem para o nada.

Quero me preparar para dormir e esquecer
Ou então sorrir para não lembrar.
Quero me aprontar para fingir não saber
Mas nunca me ferir para antecipar

As cabeças podem estourar antes do mundo
E você se protege com água e sal.
Mas eu ajeito braços, coluna e respiro fundo;
Aquieto a mente e encaro o mal.

Minhas respostas estão muito além do mar
E para mim, já não há mais Ocidente.
Pensa que eu acredito no que me faz calar
Mas, travo a boca para salvar minha mente.

É de dentro pra fora e de fora pra dentro
Que o novo chega, fazendo morada.
E o tudo que era a base do nosso centro,
Se revela na sua real forma do nada.

Autor: Marcelo Maia

sábado, 22 de setembro de 2012

Por que não me mato?


Por que não me mato?
                Se nem sempre suporto o absurdo da vida
                Se estou mergulhado no mar da solidão
                Se sempre me sinto numa competição perdida
                E já nem quero mais ser campeão

Por que não me mato?
                Se já não vejo mais a roupa do rei
                Se o esforço de rolar a pedra é sem sentido
                E se tudo que sei é que nada sei
                De que valerá tudo que tenho aprendido?

Por que não me mato agora?
                E acabo de vez com a primeira causa da dor
                Sujando o chão que acabei de limpar
                Desistindo da minha busca pelo amor
                E de tudo mais que eu espero encontrar

Mas, para que me matar?
                O suicídio fortaleceria ainda mais o absurdo
                E no mar da solidão, há sempre alguém comigo
                Se sujando na mesma lama que chafurdo
                E ainda acreditando naquilo que eu já não sigo

Para que vou me matar?
                Na verdade, o rei nunca esteve vestido
                E todo o meu esforço sempre foi inútil
                Mas agora que sei que nada tem sentido
                Torno essencial o momento mais fútil

E para que vou me matar agora?
                A natureza e o tempo farão isso, um dia
                Armados de velhice, vício, doença e medo
                E sei que no meu momento de agonia
                Acharei que estou indo muito cedo


Autor: Marcelo Maia
               
               
               
               
                

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O Dia D

                                       Esperando o "Dia D".

Continuo á espera do "Dia D'
D que traz a destruição para alguns
E a dádiva para quem menos espera
D de drink, que faz o sangue dos bebuns
E dá nome a deuses, duendes e á Fera.

Conto as hora para o "Dia D"
O Dia D, do deleite e de quem o procura 
Dia do descanso, até para quem não se cansa
O Dia D, do doido que não quer mais a cura
Dancing day, para quem não quer entrar na dança

Venha depressa, ó Dia D.
Dia da letra do dilúvio, o qual almejo
Dia em que virá Dionísio, mas ficará Apolo
Dia da letra de Danúbia e de desejo
Dia da volta de Doors ou Manzarek solo


Será você, Dia D?
O domingo daqueles que se envergonham
E pedem perdão por serem humanos?
Ou é o fim do sábaDo daqueles que sonham
E agradecem por terem desejos mundanos?


Quando virás, Dia D?
D que está no fim da estrada
Letra que começa na dúvida e acaba na dívida
D que está no tuDo e no naDa
Letra que começa no dia e acaba na vida


Autor: Marcelo Maia


















quarta-feira, 20 de junho de 2012

De repente


E de repente nada mais é
Calor, parceria ou tesão
De repente tudo agora é
Frio, ojeriza e competição

Da cama, caímos num campo de batalha
Na velha guerra entre o logos e o mito
E de repente, cada um com sua navalha
Foi rasgando o que era belo e infinito

Nossas bocas já não se calam mais com beijos
E só se abrem numa inútil disputa de certeza
Sua presença nem me provoca mais desejos
E minha ausência já não lhe causa mais tristeza

E de repente nada mais é
Rock, vinho ou sonho
De repente tudo agora é
Blues, apneia e coronho

Do sonho, acordamos no real deserto
O mesmo, onde já sofremos outrora
E de repente, na procura do que é certo
Encontramos o erro em que vivemos agora



Autor: Marcelo Maia





domingo, 15 de abril de 2012

O Sonhador (Sessão "Relíquias")

                                             
Essa não e´  minha primeira poesia, porém é a mais antiga que tenho e recordo. Possuo o manuscrito(coisa de múmia?) original até hoje. Ela é bem "John Lennon", que na época era minha  maior referência poética e, até arrisco a dizer, filosófica. 
Reproduzi-la-ei tal como se encontra no original de 28 de Julho de 1984, por isso sejam bonzinhos com esse simples poeta de apenas 14 anos. As palavras em destaque são alguns erros de escrita cometidos por mim, na época .


O SONHADOR

Poderia existir um lugar
Onde amar não é pecar 
Calar não é se acovardar
Falar sem o próximo humilhar

Eu sou um sonhador
Pra dizer sobre o amor
Pra não pensar em dor
Não ter preconceito de cor

Queria um mundo
Onde nada é fundo
Tudo é raso
Tristeza é apenas um caso

Onde viver é saber 
Querer é ter
Morrer sem ninguém  entristecer
Ceder e receber

Onde todos são amados
Ninguém é assassinado
Ninguém é amedrontado
Ah, como é bom sonhar sem ser pertubado
Mas para a realidade, devo estar acordado
E perceber que tudo foi sonhado
É melhor eu ficar calado
Senão dirão que sou um pobre coitado 
Falarão que eu cometi pecado

Ah! Acabou tudo.
acabou o meu mundo
Sem nenhum fundo
EU SONHEI DEMAIS.


Autor: Marcelo Maia (28/07/1984)

sábado, 14 de abril de 2012

Maiêutica

Sempre antecipando minhas inúmeras mortes
Ela surge como um suave estorvo
Depois cicatrizando meus profundos cortes
Aparece em forma de um lindo corvo

Uma ave agourenta que me assusta e fascina
A angústia para o meu já formado saber
A tristeza opressiva que me incomoda e anima
A reforma em meu já consolidado prazer

Luto, mas para ser sempre derrotado
Perder para ela,é minha sorte
Preso a ela, sou novamente libertado
Pronto para viver outra morte

Em cada morte, fica mais distante a caverna
A moradia dos prisioneiros da certeza
Escravizados por uma tola verdade eterna,
Desconhecem da dúvida, sua beleza


Autor: Marcelo Maia








terça-feira, 27 de março de 2012

A morte de Ana Sapoti

Disseram que a doce Ana Sapoti está morta
A mataram á tarde, numa quinta chuvosa
Dizem que a pegaram bem ali na sua porta
Ao lado do corpo, deixaram uma rosa

Mas quem foi o autor de tamanha crueldade;
Lívio Mendes,Irmão Demervaldo ou Pai Mariano?
Qual deles colocou um fim naquela beldade;
Ronaldo César, Zeca Diabo ou outro insano?

Que mal poderia fazer aquela sábia doçura;
Para pagar um preço tão elevado assim?
A quem causaria tristeza ou desventura;
Para que a condenassem ao eterno fim?

Relataram que no enterro não havia ninguém
Apenas o cadáver, o coveiro e um gato
Não houve nem choro, nem vela e nem amém
Apenas um trovão, um miado e o abstrato

Eu prefiro não acreditar que tal fato ocorreu
E espero ver Sapoti, ainda esta semana
Pois prometi ao meu velho amigo Zebedeu
Apresentar lhe na sexta, a linda e sábia Ana.


Autor: Marcelo Maia





segunda-feira, 12 de março de 2012

Rótulos e definições

De tanto pensar, já não me defino mais
Ateu, cristão, satânico ou budista
São rótulos que já não me servem mais
Nem judeu, hindu, messiânico e jainista

Rótulos são para garrafas de refrigerante
Marcas, apenas permito as de perfume
Hoje, rotulam-me  de maluco aberrante;
Apenas por que detesto esse costume.

Definir humanos é uma tremenda crueldade
Pior ainda é aquele se auto rotular
Trocando de vez a sua já efêmera liberdade
Por um verbete que o impõe a se  limitar

Se faz escravo de sua própria definição
Um oprimido patético nas garras de um termo tirano
Um dístico ditador que tem apenas como ambição
Se tornar o rótulo senhor,máximo e soberano.

O termo "religioso"  me obriga a acreditar
Naquilo que meu bom senso rejeita
A marca cético me impõe a duvidar
Daquilo que meu bom senso aceita

Rótulos, não os queria nunca mais
E estar sempre deles,desprovido
Mas se viver sem eles sou incapaz
Rotulo-me de "sem rótulo" e "indefinido"



Autor: Marcelo Maia