Translate

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Entre o Nada e o Início

Entre o nada e o início, há um homem no quarto escuro.
Preso á sua arrogância, medo e decepção.
Abaixo  da beira, tem só um egoísta em cima do muro.
Ignorando sua ignorância e o medo da solidão.

Entre a flor e o espinho, há um homem temendo os dois.
O cheiro que o repele e a ponta que o dilacera.
Na escolha entre a dor e o carinho, um que pensa no depois.
Do mal-estar  em sua pele e da rejeição que ele espera.

Entre a corda e o suicida, há um momento de reflexão.
Um bilhete dramático para ninguém ler.
Atrás da estreita porta e da vida, há o prazer e a persuasão.
E um conselho fanático para se convencer.

Entre a punheta e o casamento, há uma tremenda monofobia.
Mas uma suja sua mão, o outro sua individualidade.
Depois da alegria e do tormento, há uma dívida e monotonia.
A saudade da solidão, a falta de privacidade.

Então, ele prefere voltar para cima do muro;
Mas se afasta da beira do precipício.
E descobre dentro de seu velho quarto escuro;
Que só há o nada, entre o nada e o início.

Autor: Marcelo Maia

Nenhum comentário:

Postar um comentário