Entre o nada e o início, há um homem no quarto escuro.
Preso á sua arrogância, medo e decepção.
Abaixo da beira,
tem só um egoísta em cima do muro.
Ignorando sua ignorância e o medo da solidão.
Entre a flor e o espinho, há um homem temendo os dois.
O cheiro que o repele e a ponta que o dilacera.
Na escolha entre a dor e o carinho, um que pensa no
depois.
Do mal-estar em
sua pele e da rejeição que ele espera.
Entre a corda e o suicida, há um momento de reflexão.
Um bilhete dramático para ninguém ler.
Atrás da estreita porta e da vida, há o prazer e a
persuasão.
E um conselho fanático para se convencer.
Entre a punheta e o casamento, há uma tremenda monofobia.
Mas uma suja sua mão, o outro sua individualidade.
Depois da alegria e do tormento, há uma dívida e
monotonia.
A saudade da solidão, a falta de privacidade.
Então, ele prefere voltar para cima do muro;
Mas se afasta da beira do precipício.
E descobre dentro de seu velho quarto escuro;
Que só há o nada, entre o nada e o início.Autor: Marcelo Maia
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