Ateu, cristão, satânico ou budista
São rótulos que já não me servem mais
Nem judeu, hindu, messiânico e jainista
Rótulos são para garrafas de refrigerante
Marcas, apenas permito as de perfume
Hoje, rotulam-me de maluco aberrante;
Apenas por que detesto esse costume.
Definir humanos é uma tremenda crueldade
Pior ainda é aquele se auto rotular
Trocando de vez a sua já efêmera liberdade
Por um verbete que o impõe a se limitar
Se faz escravo de sua própria definição
Um oprimido patético nas garras de um termo tirano
Um dístico ditador que tem apenas como ambição
Se tornar o rótulo senhor,máximo e soberano.
O termo "religioso" me obriga a acreditar
Naquilo que meu bom senso rejeita
A marca cético me impõe a duvidar
Daquilo que meu bom senso aceita
Rótulos, não os queria nunca mais
E estar sempre deles,desprovido
Mas se viver sem eles sou incapaz
Rotulo-me de "sem rótulo" e "indefinido"
Autor: Marcelo Maia
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