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sábado, 22 de setembro de 2012

Por que não me mato?


Por que não me mato?
                Se nem sempre suporto o absurdo da vida
                Se estou mergulhado no mar da solidão
                Se sempre me sinto numa competição perdida
                E já nem quero mais ser campeão

Por que não me mato?
                Se já não vejo mais a roupa do rei
                Se o esforço de rolar a pedra é sem sentido
                E se tudo que sei é que nada sei
                De que valerá tudo que tenho aprendido?

Por que não me mato agora?
                E acabo de vez com a primeira causa da dor
                Sujando o chão que acabei de limpar
                Desistindo da minha busca pelo amor
                E de tudo mais que eu espero encontrar

Mas, para que me matar?
                O suicídio fortaleceria ainda mais o absurdo
                E no mar da solidão, há sempre alguém comigo
                Se sujando na mesma lama que chafurdo
                E ainda acreditando naquilo que eu já não sigo

Para que vou me matar?
                Na verdade, o rei nunca esteve vestido
                E todo o meu esforço sempre foi inútil
                Mas agora que sei que nada tem sentido
                Torno essencial o momento mais fútil

E para que vou me matar agora?
                A natureza e o tempo farão isso, um dia
                Armados de velhice, vício, doença e medo
                E sei que no meu momento de agonia
                Acharei que estou indo muito cedo


Autor: Marcelo Maia
               
               
               
               
                

Um comentário:

  1. A nossa solidão está repleta de solitários até a alma,procurando um louco com uma roleta russa em mente.
    Estou gostando cada vez mais de visitar seu blog.Cada texto,uma surpresa.Parabéns!
    Até a próxima parada.
    Márcia Maia Crus

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