Por que não me mato?
Se nem
sempre suporto o absurdo da vida
Se
estou mergulhado no mar da solidão
Se
sempre me sinto numa competição perdida
E já
nem quero mais ser campeão
Por que não me mato?
Se já
não vejo mais a roupa do rei
Se o
esforço de rolar a pedra é sem sentido
E se
tudo que sei é que nada sei
De que
valerá tudo que tenho aprendido?
Por que não me mato agora?
E acabo
de vez com a primeira causa da dor
Sujando
o chão que acabei de limpar
Desistindo
da minha busca pelo amor
E de tudo
mais que eu espero encontrar
Mas, para que me matar?
O suicídio
fortaleceria ainda mais o absurdo
E no mar
da solidão, há sempre alguém comigo
Se sujando na mesma lama que chafurdo
E ainda acreditando naquilo que eu já não sigo
Para que vou me matar?
Na verdade,
o rei nunca esteve vestido
E todo
o meu esforço sempre foi inútil
Mas
agora que sei que nada tem sentido
Torno essencial o momento mais fútil
E para que vou me matar agora?
A natureza e o tempo farão isso, um dia
Armados de velhice, vício, doença e medo
E sei que no meu momento de agonia
Acharei que estou indo muito cedo
Autor: Marcelo Maia
Armados de velhice, vício, doença e medo
E sei que no meu momento de agonia
Acharei que estou indo muito cedo
Autor: Marcelo Maia
A nossa solidão está repleta de solitários até a alma,procurando um louco com uma roleta russa em mente.
ResponderExcluirEstou gostando cada vez mais de visitar seu blog.Cada texto,uma surpresa.Parabéns!
Até a próxima parada.
Márcia Maia Crus