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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O Velho Laço

 Com seu nome, fiz um mantra quase  mudo.
Esculpi sua imagem na mente;
Ajoelhei-me de saudade.
Rasguei o poema, no qual disse quase tudo.
Expulsei a aparição da minha frente;
Amaldiçoei-me com verdade.

Deixei meu sonho para entrar no seu pesadelo.
Deixei em perigo seu futuro ideal;
Revelei a dor da existência.
Ouviu meu desaforo, mas não atendeu meu apelo.
 Deixou em risco meu presente real
Praguejei a hora da resistência.

Atrás do amor perfeito, desprezou meu sentimento;
Encontrou aquele homem morto do passado
Ressurreto pelo seu amor imperfeito.
Fiz de Azevedo, um escape para meu tormento;
Li Baudelaire e seu spleen embriagado.
Ameacei-me com Bukowski no peito.

Então, eu durmo para encobrir o real que o sol revela.
Mas acordo com o som de sua voz;
E a ausência de seu abraço.
Então, eu insisto em ver o que há depois da janela.
 Percebo que não existe mais o “nós”;
E não restou nada do velho laço.

Autor: Marcelo Maia

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