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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O Fantasma

Do mundo das sombras do passado, o fantasma saiu
Faminto, bateu em minha porta, pedindo comida
Mas, pouco descia em sua garganta
Devido à fome que não podia saciar; no chão, ele caiu
Não tive pena daquela criatura e sua pseudo-vida
E na minha ironia, gritei: levanta!

Do sedento demônio, ele zombava para amenizar sua dor
Mas, nada preenchia aquela enorme pança
E eu chorei por não chorar de pena
Enquanto o fantasma gritava: abre-te, goela, por favor!
Eu devorava o doce, feito uma criança
Angustiante e engraçada era tal cena.

No seu desespero e vazio, pediu um pouco de areia
E de grão em grão foi saciando sua maldita fome.
Não importava o gosto, só a satisfação.
Mas quanto mais come, mais seu estômago anseia
E tudo que ali entra, rapidamente some
Restando só a dor e a escuridão

Ao ir embora, não se despediu e nem me agradeceu;
Jogou a chave pela janela, como sempre fez.
Culpou-me por sua vida aflita.
De volta ao seu mundo, amaldiçoou o que comeu.
Vomitou a areia para sentir fome outra vez;
E viver em sua cobiça infinita

Marcelo Maia Gomes

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