Do
mundo das sombras do passado, o fantasma saiu
Faminto,
bateu em minha porta, pedindo comida
Mas,
pouco descia em sua garganta
Devido
à fome que não podia saciar; no chão, ele caiu
Não
tive pena daquela criatura e sua pseudo-vida
E na
minha ironia, gritei: levanta!
Do
sedento demônio, ele zombava para amenizar sua dor
Mas,
nada preenchia aquela enorme pança
E eu
chorei por não chorar de pena
Enquanto
o fantasma gritava: abre-te, goela, por favor!
Eu
devorava o doce, feito uma criança
Angustiante
e engraçada era tal cena.
No
seu desespero e vazio, pediu um pouco de areia
E de
grão em grão foi saciando sua maldita fome.
Não
importava o gosto, só a satisfação.
Mas
quanto mais come, mais seu estômago anseia
E tudo
que ali entra, rapidamente some
Restando
só a dor e a escuridão
Ao
ir embora, não se despediu e nem me agradeceu;
Jogou
a chave pela janela, como sempre fez.
Culpou-me
por sua vida aflita.
De
volta ao seu mundo, amaldiçoou o que comeu.
Vomitou
a areia para sentir fome outra vez;
E viver em sua cobiça infinita
Marcelo Maia Gomes
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