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sábado, 3 de outubro de 2015

A Lagartixa no Meu Café

Desculpe por ter lhe cuspido assim no chão
Não consegui engolir até o fim
Fui atraído pelo doce e o amargo da paixão
Mas seu gosto não era assim

Você se esquivava dentro da minha boca
E mesmo assim, eu curtia o gosto
Livre de mim, contorceu feito uma louca
Senti pena, mas virei meu rosto

Pobre predadora de verme e inseto
Sentiria o gosto de ser a minha presa
Porém, dispensada como um inútil objeto
Empina seu corpo em direção à mesa

Desculpe, eu até tentei disfarçar o seu sabor
Misturando café, açúcar, pimenta e fel
Mas você tremia em minha língua
Assim como ela tremeu diante do meu amor

Não posso engolir alguém assim tão escorregadio
Presa entre meus dentes, encostada no meu céu
Deixe me sentir pena de vê-la à míngua
E volte a ser a predadora de pele lisa e sangue frio

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